Aquelas palavras ecoaram em meu ouvido, elas foram empurradas goela abaixo com uma grande dose de dor. Caminhando calmamente, aproveitando os últimos minutos de glória, chegamos à porta. Ela foi sacando algo da bolseta de couro que carregava, uma corrente foi tomando forma. Abrindo minha mão e simetricamente, foi despejando aquele medalhão, disse:
- Lembre-se de mim através disso. Isso nos ligará pelo infinito mar da distância. Jamais esquecerei estes teus lábios. - Disse, ela, trêmula, segurando minha mão.
- Voltarei a sentir as batidas do teu coração? - Disse, eu.
- Apenas o destino nos responderá. - Disse, ela, arrancando as últimas esperanças.
Nossos lábios se uniram outra vez, aquele era o beijo do adeus. Simbolizei minha tristeza com um abraço forte e apertado, afagando sua cabeça entre meu peito. Minhas lágrimas falavam pelo meu coração partido. Aquele raio o partiu ao meio. Já afastados, entre o rugido do motor a diesel, eu a assisto ir embora. Eu poderia tera alcançado, mas algo fincou meus pés naquele chão gélido.
A roda gigante da consolação deveria continuar a girar, mas eu não havia dado fichas a ninguém. Foi uma troca desleal, só recebi seu nome, eu dei meu coração. Até hoje, guardo o medalhão prateado daquela moça. Um simples toque naquele cordão, leva-me ao completo êxtase, sentindo seu calor queimando meu corpo, assim, volto ao ponto de partida. Só o destino dirá... se ganhei ou não.
"Não aguentava mais esperar, você voltar..."