domingo, 22 de janeiro de 2012

Miragem

         Ontem, tive como amiga, a lua, que estava a me acompanhar enquanto minha alma procurava tua sombra, sedento do teu frio calor. Com os olhos mergulhados em lágrimas, estava a vislumbrar aqueles brilhantes diamantes no céu, tentando encontrar naqueles ofuscantes feixes de luz, teu paradeiro.
           Estava a sentir aquela água batendo em meus sedentos pés. A imensidão daquele negro mar estava a separar nossos lábios. Não podia sentir teu coração bater, mas podia sentir tua leve brisa entrelaçada em meus solitários braços. Não posso voltar a dormir, com tua voz congelada, com as gotas de minhas lágrimas reacionando em nossos lábios, com o vazio de meu travesseiro. Minha lucidez, dilacerada, presenteara-me com uma longa viagem às minhas lembranças, aterrisando naquele dia de chuva intensa, aconchego apaixonado, beijo inesquecivel, onde nem o frio conseguira atravesar meu peito. 
           Tua miragem, ao menos, veio me acompanhar na longa jornada sem você. Conforto-me com a certeza de que minhas lágrimas tem a participação de tua falsa presença.