quarta-feira, 26 de setembro de 2012

Amoroso

Escolhas internas;
Mortes incertas;
Valores furtados;
Primórdios esquecidos;
Orgulho perdido;
Por tí, até vendido;
Lágrimas imaculadas;
Insana esperança;
Amargura indefinida;
Tu, que minha, já fostes;
Só ao meu pulso, me restas;
Entregues aos ofícios roubados;
Prender-me à firmeza ou vender-me ao céu?
Medo, este, de jogar-me ao véu;
Amar-te no infinito;
Horizonte vulgar;
Tentei, mas agudas palavras vão nos separar;
Meu futuro conspirado.




quarta-feira, 25 de julho de 2012

Presente Descompassado

Francamente, a postura mantida;
Paga meu caminho mas dilui minha alma;
Insanidade, abandone-me... Suas lágrimas condenam minha falta;
Pinturas dissonantes ilustram o presente condensado;

Sentimentos decréptos, pulsos furtados;
Pormenores deste incrédulo século tocam minha nuca;
Estilhaços inocentes envergonham minha poesia;
Me movem depressa, tu me entendes;
O amargo vinho roubado guarda mentes doentes;
Medos tímidos traçam vidas dementes;

O pretérito não conjuga o futuro;
O presente desatina sob o suspiro;
Embrulhado no antigo jornal, a minha melodia adormece;
No nebuloso sono, chances padecem;

Impulsos secretados imprimem o caminho;
Descompassam os últimos versos;
Minha biologia se funde ao inconstante sacrifício;
Olhos invisíveis à cruz resistente;
Vida deslocada, não condizente ao meu ofício;

segunda-feira, 7 de maio de 2012

O que faço com ela?

Aqui, em meu frágil peito, ela deitou;
Sua viscosa dívida, em foz, despejou;
Até que ela se levantou e disse:
"Estou faminta por diversão;
Vamos sair e pagar um anão."

O que faço com ela?

Segregado pela fagulha do desespero;
Morbidez de tuas emoções me despertaram;
Já queda livre, expulso da sagrada maravilha;
Os leões, já me passam em relento;
Vivo no imperfeito pretérito de meu travesseiro;

Respiros desconsolados, choros vendidos;
Teus males, destruiria com meu coração, sorrindo;
Mas, recusado, embrulhei-o no papel vagabundo;
Sim, aquele de palavras tripudiadas;
Doces lágrimas alcoolizadas embebiam arredios segundos de inverno;

Pegadas largadas, anos-luz de realidade;
Lábios deliciam-se na inverdade;
Falácias aprisionadas no teu medo;
O sonho se foi, mas o bebê é real;


 

domingo, 18 de março de 2012

Elas farão nossos túmulos

Sobre a areia, sobre a baía
"Há um jeito rápido e fácil, querido", você dizia
Antes que você demonstre
Eu prefiro deixar claro:
Eu não sou a luz que pensas que eu sou
E o filho nativo da desolação?
Não, ele não sorrirá para ninguém
E as garotas providas? 
Sim, elas farão nossos túmulos
Elas nos beijarão com seus poréns
Fim do ancoradouro, fim da quietação
Lágrimas secadas, coração selado
Mas aberto à tuas palavras de salvação
Não mais quero correr e roubar os cegos da velha estrada

Entrastes escondida em meu quarto
Vistes meu sorriso celibatário
Roubaste meus manchados desenhos
Sinto que não esperarás meu momento
Ela mescla um ser rude
E eu, pura delicadeza

Sobre a areia, sobre a baia
No nosso lugar, outro, ela volta a encontrar
Este pega e beija a sua mão
Um sorriso estupido volta a falar
Era o esperado
Não sou a luz que pensas que sou




sábado, 3 de março de 2012

Incansável..


        Sobre as lágrimas regurgitadas de tua razão, embebedo-me nos ensolarados dias que as centelhas de teu manto pulsante tendem a apagar. Nos raios inertes à tua sombra, tracejo nos teus sinceros erros, tua imagem, apática aos meus sentidos petrificados. As púrpuras colinas de teu sorriso impressionam-me com seus choros celibatários. Cansado, estou ao ver o show inacabado, mas com o fim imaginado, destinado ao meu coração sufocado à desistência.
        Não consigo ver-te diante da névoa que está a pairar, mas tu sabes de onde veio, tu sabes conduzir-me por entre as indecisões e sacrilégios. Diga-me apenas onde posso apoiar-me nesta transpiração alada. Corto-me diante da resistência imposta por tuas fibras perdidas, deixando-se levar na duvidosa vida passageira de um vestibular de aventuras, esquecendo-me nas veredas dos Guimarães. 
      Sentado, estou a esperar teus ditos ecoarem em meus ouvidos, mostrando-me tudo aquilo que, em consciência, não posso dizer. Não consigo brecar estes avassaladores sentimentos por teu ser, mas queria apenas uma lágrima tua derramada, sufocando meu orgulho. Julgue minhas horas compartilhadas à tua alma, desbravando tua irresistivel inocência, não querendo-me entregar à aceitação do finito. Julgue este amor imerso em paixão explícito, embebido em carinho irrestrito, com sabor de infinito.

terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

Instinto coronário

"Vivo dos respiros, teus, deixados aqui. Consumo-os enquanto, comigo, não estás."  
         
         Cruzando a linha do silêncio, desbravando a lucidez deste infinito horizonte, viajo na velocidade de tua pulsação, tentando encontrar-te no paradoxo quebrado neste silêncio inquieto de meu coração. Minhas energias resumem-se em apenas uma grandeza vigente, teu ser. Meus instintos coronários resumem-se na mais completa forma para se gostar inventada pelo grande soberano, o intrínseco amor, que guia-me por entre a escuridão da distância até teu vivido peito.
         Quieto, já não consigo ficar. Vontade, tenho de descortinar teus sonhos e trazê-los para nossa realidade. Quero revirar-te inteira, conhecer a sede abstrata de teu manto pulsante. Quero ser aquele capaz de levá-la até a intima dimensão, deixando-a sentir a imensidão do céu, onde a estrela maior é você. Em ti, passo na tua vivência, contemplo sua estrangeira cidade. Sozinho, apenas com o instinto de alguém que sabe amar. Sozinho, mas sempre junto de você.  
           Disponho-me à compreender-te quando até mesmo teu travesseiro tende a trair-te em juizo imperfeito. Meus imperatívos sentimentos, dou-te em mão única. À tí, compartilho os meus melhores anos com tua vida impressa na minha, amando-te na felicidade e na indiferença, na prosperidade e na opacidade, até que a eternidade consiga nos separar.

"Não posso, aqui, cansar-me e esperar"

sábado, 18 de fevereiro de 2012

Coração vadio


O garoto eternamente atormentado;
Por trás do ódio, jaz;
Um desejo homicida por amor;
Como eles podem dilacerar em meus olhos;
E continuar sem acreditar em mim?;

Como podem ouvir-me, incredulamente, ditar as santas palavras;
E continuar sem acreditar em mim?;
E se eles não acreditam em mim agora;
Eles acreditarão algum dia?
E se eles não acreditam em mim agora;
Eles me esconderão no porão do amor algum dia?;

O garoto eternamente atormentado;
Por trás do ódio, jaz;
Um desejo inescrupuloso de roubar amor;
Como eles podem ver o horizonte rasgar em nossos olhos;
E continuar sem acreditar em nós?;
Parados, com os pulsos fraturados;
Ainda renego o doce invalidado;

E se tu não brincares sobre os choros celibatários agora;
Eu, em ti, acreditarei algum dia?
E quando quiseres, sob o coração vadio, perecer;
Como começarás?;
Por onde tu andarás?;
Quem, ainda, tu precisas desmerecer?;

"Vívido e no seu auge, você vai me deixar para trás..."

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

Uma vez...

       Sozinho, deparo-me trilhando as fibras do vermelho deserto. As ponderadas pulsações encaminham-me até a sombra de tua direção, delirando em tua imensidão. Não consigo enxegar-te, na rota do meu momento, se perdestes o equilibrio na aorta de meus sentimentos. Imagino-me acima das jovens nuvens de teu céu, esperando uma só sentença tua para ser salvo desta queda sem fim. Ainda lembro-me dos beijos franceses, a mim, concebidos, lacrando a escura porta de tua vergonha.
      Nas incertezas do gélido raio azul, como posso deixa-la partir apenas com meus escritos em teus horizontes? Aquele céu avermelhado ilustra nossas lembranças, polarizando meus sentidos, aumentando, por ti, meu intrínseco amor. Será que estás sendo agraciada por meus sentimentos insaturados? Será que tu vês o mesmo paraíso estrelado que teu amante? Já não há mais diferença, são tantas vidas à responder. Há tantas falácias que, para ti, preciso decifrar. Há tantas razões que, de teu metálico sorriso, ainda venho a me recordar.
       Sob o fogo ardente, na penugem da fênix, assistimos nosso riso, nos encontramos em nossa dor, compartilhamos de nossas lágrimas e, assim, reconheceste-me por inteiro. A oxidada ponte já pede para ir ao chão, a medida de meu olhos vermelhos já lhe é incoveniente. O salgado senador não mais participa do final, apenas, do começo, se vangloriou e nas maravilhas da inocencia, no pesar, ele reina. Olhes para meu ser, no cais da correnteza, estou abandonado, com os braços frios e vazios. Queria apenas, com minhas palavras molhadas, fazer-te voltar. Volte, num dia como hoje, no qual sentires tuas mãos frias, quando, quentes, meus lábios, estiver.
          Ao supremo, peço apenas para que, no calor de teus braços, eu possa estar. Na doçura de teus beijos, consiga encontrar-me. Nos respiros de teu ser, recoponha-me e na felicidade desta união, volte a naturalizar-me.       
"O gosto do teu beijo ficou em minha boca e não sai..."
"Você é... chato, abusado..." 

domingo, 12 de fevereiro de 2012

Amargo silêncio

         Por entre as barganhas da solitária madrugada, reacendo-me descontente com o travesseiro mal-conjugado, indefinido com tua partida. Minhas mãos, trêmulas, desesperam-se com a falta de doçura. Teu cheiro, em mim, se demora e encarcera-me na parada de tuas vias indiretas. Vejo minhas pegadas, em teu corpo, desaparecer nas sordidas mãos do esquecimento.
          Minhas lágrimas deleitam no teu papel de bombom esquecido e, a mim, dado no êxtase de teu amor insinuante. O olhar sincero que trocamos, cada sorriso que sorrimos, cada abraço caloroso dado, cada palavra dita, cada lágrima de alegria chorada parada nos segundos impiedosos de teu coração. Aquelas palavras navegam na imensidão de minhas entranhas, perfurando-me com tuas lembranças, deixando-me mais perto de teu rastro, vivenciando tuas emoções obsoletas enfiadas naquele branco papel.
          Deixe-me, em teus saudades, ainda viver. Deixe-me habitar o porão de teu peito, vencer esta dor através de teu amargo silêncio de tua pulsação. Já não posso saber quem tu és, nem mesmo escolher a cor de teus dentes metálicos, muito menos fechar com meus lábios intercostados em tuas mãos. Meu peito, a tí, grita: "Um amigo, eu perdôo, mas você, eu ainda amo".

"Para você. Beijos de seu... eterno amante."

sábado, 11 de fevereiro de 2012

Perdidos, indefinidos

Carinhos, falácias;
Palpitações descontroladas;
Beijos cronometrados;
Segundos mal interpretados;

Tua sombra vigente está a dançar comigo;
Algo irreal, tornou-se fatal;
Eu era apenas o seu amigo;

Entro no meu quarto, coração largado;
Pupilas dilatadas, lágrimas, em tua carta, debruçadas;
Escrito: "Amo teus beijos, abraços, tudo. Eu e você quem sabe pode ser."
Tua voz, ouço ecoar ao meu lado;
Olhares solitários, enlouquecidos;
Sentimentos, teus, perdidos, indefinidos;

Mas não demore a perceber;
Que, ainda, gosto muito de você;
Mando sinais para você;
Talvez me notar;

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Errôneos caminhos

         Balões explodem, carros colidem, luzes ofuscam e minhas lágrimas caem com frequência, agora. Lembro-me, com glórias do passado, de teus segredos de amor. Meu peito encontra-se ferido, pedindo socorro aos Deuses de tua alma, implorando por tua singela misericórdia.
          Quando, em tí, penso, sinto um forte raio atravessar minhas frágeis entranhas, rasgando-me por inteiro, pegando-me sem cumprimentos, apenas aproveitando-se de tuas saudades, vivenciadas por meu ser. Adentro-me em tua falsa fortaleza, apego-me nas notas de tua canção e com elas, viajo nas lembranças pausadas nos segundos obsoletos do teu coração.
           Tua felicidade entristece-me, desvaneço-me no olhar do teu capataz, vegeto em teus beijos amargos, no percorrer de teus errôneos caminhos, nos lábios do teu feliz senhor. Desvio, além do horizonte, à procura de doce presença, alimentando-se dos respiros que deixastes aqui, consumindo-os, pouco a pouco, sabendo que tua alma, comigo, não mais está.         

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

Estapafúrdias saudades

        Meu estigma afoga-se na dor da saudade daquela que já se foi. Meu corpo, enfraquece-se nos segundos ardentes em minha alma, esquecidos pelo teu ser. Luzes brilhantes, abraços maltratantes tendem a pulsar dentro de meu manto fibrilante. Friamente falando, posso sentir tuas delicadas mãos queimando-me naquelas tardes destiladas de tua afável primavera.
      Em tua carta amável, procuro tuas digitais. No chulo linho, procuro o teu doce perfume. Em meu corpo,  passo a procurar tua inesquecível companhia. Meu coração, dissonante, encontra-se no décimo andar,  desencontrando-se nas escadas descontroladamente, em busca de tua visionária sombra, nos solitários carrosséis da vida.
      Arritmo, meu pulso reclama por tuas saudades. Perco os sentidos, arranquei-me-à dos delírios da sensibilidade. Cavalos-marinhos, nos recifes, não se alocam mais. Tu abdicastes da coragem para tocar nas doze chaves de minha velha corrente. A porta esteve aberta, a segurança foi deslocada, somente, meu pobre coração, vazio, estagnou-se, levando-me ao nada.






quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

Ponteiros oxidados

         Os fios de meus vividos cabelos já não conseguem contar a mesma história de existência. As cortantes ondas daquele mar já não oferecem resistência à onipotência de teu ser. Meu corpo, curvado, em busca de tuas palavras de acalanto, cansado, está, por brincares com a angústia de minha alma. Os ponteiros do obsoleto relógio, oxidados, estão, pelo contato impuro de minha fúteis lágrimas. Aqueles inesquecíveis segundos já não podem voltar.
         Estamos queimando abaixo da linha menosprezada do horizonte, estamos girando no centro do forte furacão, ele prometeu usurpar meu desgostoso coração. A salgada brisa conserva os pedaços finais de meu orgulho. O sol, corpo implacável, queima por completo, as marcantes lembranças de tuas carícias, arrancando tua bandeira, em mim, implantada nas vias indiretas da tua apaixonante estrada.
          Naquele gélido deserto, encontrei a roseira de teu amor. Minha alma pensou em gritar teu nome, abrir todo o manto pulsante. Gostaria de demonstrar-lhe o quão grande é minha paixão. Sinto, teu valoroso amor, meu, não vai ser, mas, em meio aos gritos e sussuros, ainda te amo. Cada segundo que penso em te falar, não contenho minha emoção, eu, apenas, gostaria de ter, ao meu lado, o teu nobre coração.

"Eu queria apenas dizer... - Eu te amo!"

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Cinco segundos

         Sentado, eu estava, quando o sol pôs-se a sair de cena. Eu estava tão pálido, não sentia os fluídos passearem por entre minhas veias, minha pele encontrava-se dilacerada pelas mãos do tempo e eu, estava velho e cansado de caminhar. Deitei na argilosa areia da morbidez, fixei meu olhar para aquele céu alaranjado, fitei meu coração para tua face, refletida de minha pobre esperança.
        Minha razão apontou para o relógio, os ponteiros giravam tão rápido e, em meio àqueles segundos obsoletos, soluçando em meu pulso, pedia para alí, ficar. Meus pobres vocábulos resumiam-se em teu pequeno nome. Com minhas lágrimas transpassadas em meu cortado rosto, aprendi a não mais pôr o dedo na tomada.
         Estava a vislumbrar teus olhos, percebi que ias embora sem cumprimentos. Acordei-me com aquelas gélidas gotas salgadas em meus pés, o mar já estava a nos separar. Teu beijo, a mim concebido na alameda do filho do salgado senador, desdobrava-me por inteiro, aquele calor, por mim, não seria mais sentido. Não conseguia acompanhar-te, apenas teu vácuo, a mim, fazia companhia.
         Se cinco segundos, tiveres, no estrondar de teu pulso, as estações não conseguem durar, então só há uma coisa a falar, fiques comigo. Fique, apenas não vá embora, deixe-me num outro dia, num dia como o de hoje, sem ninguém por perto.

"O verão mudou, teu coração também."

sábado, 28 de janeiro de 2012

Nunca sem você

         Alheio ao medo tardio, encontro-me no término do destino, preso ao passado subjacente, onde o indicativo de meu presente já não apresenta as glórias da sagrada maravílha. Sedento daquelas singelas horas, vejo-me estrangulado pelo desejo de tua fria presença, mas continuo com o peito aberto, esperando pegares o que realmente importa, meu fracionado coração.
        Destas grades envenenadas, não consigo a libertação dos rostos que conheço. Seguro as lágrimas, sabendo que nada mais ousa brotar nas inférteis emoções. Já não sei encarar minha verdade, estou fora do jogo, quebrei todas as regras, já não posso rolar os dados. Meus pulmões, só agraciam do oxigênio quando o lembro-me do reflexo daqueles raios de primavera passeando pelas ondas de teus claros cabelos. Hoje, só posso imaginar o brilho das estrelas mirando em teus olhos.
        Sem teu respiro, minha melodia perde a rima, como as notas de uma velha canção desbotada. Meus batimentos estão sem métrica, esperando teu ritmo para minha aquietação. Apenas teu carinho retira-me das profundezas da noite sombria, trazendo-me à luz ofuscante do teu amor. Posso decidir o tempo final, driblando a solidão ao som da tua doce voz. Contigo, posso fazer nosso minuto atingir a eternidade. Tenho que seguir-te, pois tudo o que sei, não é coisa alguma até ter apresentado a teu ser.

"Você é o alguém de quem posso depender."
          

sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

Indubitável

         Deitado, pus-me a pensar nas secretas imagens que navegam sem destino na nascente de minhas lembranças. Sem porto para ancorar, seguro-me, perdido, nas ondas da ilusão, deixando-me levar por cada pulso do meu peito, contido. Nas negras águas de minha consciência indubitável, sinto o gélido calor tocando minha inocente pele, rasgando-a, deixando-me indefeso, desejando tua fortaleza.
           Entre as luzes de neon de meu solitário barco, sento-me no vante, transporto-me àqueles singelos bancos que nos uniu, de um simples abraço companheiro e carinhoso, surge aquele beijo vergonhoso, tímido, mas caloroso, apaixonado. Conseguia sentir o sorriso brotar em teu vermelho rosto. Naqueles claros olhos, via-me refletido, incrédulo com teu acalanto. Rezei para que teu espelho nunca mirasse-me ao sabor do engano.
            Linda donzela, fiques comigo. Fostes embora e com um feitor, fazes teu presente,  mas sob tutela, tens meu inocente coração. Singelo, sou em falar, não sei interpretar o roteiro de amor como fazem na TV, nem mesmo consigo fazer aquela linda e calma canção como deve ser. Não posso fazer tudo, mas dou minha prata, ouro e mirra por você. Não farei nada, além de amar teu ser.

"Ele diz algo, como: - Eu e você, amor, o que achas?"

domingo, 22 de janeiro de 2012

Miragem

         Ontem, tive como amiga, a lua, que estava a me acompanhar enquanto minha alma procurava tua sombra, sedento do teu frio calor. Com os olhos mergulhados em lágrimas, estava a vislumbrar aqueles brilhantes diamantes no céu, tentando encontrar naqueles ofuscantes feixes de luz, teu paradeiro.
           Estava a sentir aquela água batendo em meus sedentos pés. A imensidão daquele negro mar estava a separar nossos lábios. Não podia sentir teu coração bater, mas podia sentir tua leve brisa entrelaçada em meus solitários braços. Não posso voltar a dormir, com tua voz congelada, com as gotas de minhas lágrimas reacionando em nossos lábios, com o vazio de meu travesseiro. Minha lucidez, dilacerada, presenteara-me com uma longa viagem às minhas lembranças, aterrisando naquele dia de chuva intensa, aconchego apaixonado, beijo inesquecivel, onde nem o frio conseguira atravesar meu peito. 
           Tua miragem, ao menos, veio me acompanhar na longa jornada sem você. Conforto-me com a certeza de que minhas lágrimas tem a participação de tua falsa presença.
            

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

Já se pode lavar...

Aqueles dolorosos pingos de chuva;
Lavaram as pérolas negras de meus olhos;
Depositaram as lembranças no criado-mudo;
Tuas leis foram tatudas em meu mundo;
Em meu peito, está aquilo que te prometi;

Aquela salgada chuva;
Engatilhou todos os planos;
Gélido, meus dedos tentam te tocar;
Minhas lágrimas saem da terra mundana;
Minha boca, omitida, engole à seco teu olhar;

Por favor, mostre outra vez o caminho;
Com o nó na garganta, não posso mais gritar;
Estou enfraquecido pela visão;
Daquela glória que, em mim, não existe mais;
Aqui, continuarei até o próximo inverno me pegar;

Não há mais diferença;
Aquele vento me balança nervosamente;
Aquele beijo está em minha mente;
Naquele espelho, lá estou e nada o pode derrotar;
Agarro-me naquele fio de esperança e peço para Ele me olhar;

Há uma floresta cheia das rosas que temo;
Mas, eu entrarei, se, a mim, for dado um tempo;
Acelero meus passos, com os dedos cruzados;
Estou a caminho, minha alma, resgatarei;
Falarei o que penso, eu me importarei;










quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

Esperando por você

Uma lágrima, dos meus vermelhos olhos, caiu;
No meu gélido travesseiro e logo senti;
A solidão havia chegado e de amiga, trouxe o vazio

Acordei, levantei e olhei;
Meu coração disparou, não acreditei;
Naquela porta estava você;
De felicidade, desabei;

As estrelas no céu, eu contei;
A cada segundo, te esperei;
Vi a imensidão do mar;
Desejei àquela brisa, de volta, trazer-te;
Meu coração presenciou o sol nascer;
Mas ele desejava teus braços para se aquecer;

Meu amor, entra, me abraça;
Já não aguentava mais esperar;
Você, para meu braços, voltar;

Meu amor, olha a sua volta;
Tudo aqui está no mesmo lugar;
E eu aqui... continuando a amar você;
Somente você;

"Desculpe-me, meu coração é teimoso..."

Adaptação: Esperando você.

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Amantes apaixonados, corações separados! - Parte III

         Aquelas palavras ecoaram em meu ouvido, elas foram empurradas goela abaixo com uma grande dose de dor. Caminhando calmamente, aproveitando os últimos minutos de glória, chegamos à porta. Ela foi sacando algo da bolseta de couro que carregava, uma corrente foi tomando forma. Abrindo minha mão e simetricamente, foi despejando aquele medalhão, disse:
       - Lembre-se de mim através disso. Isso nos ligará pelo infinito mar da distância. Jamais esquecerei estes teus lábios. - Disse, ela, trêmula, segurando minha mão.
- Voltarei a sentir as batidas do teu coração? - Disse, eu.
- Apenas o destino nos responderá. - Disse, ela, arrancando as últimas esperanças.
      Nossos lábios se uniram outra vez, aquele era o beijo do adeus. Simbolizei minha tristeza com um abraço forte e apertado, afagando sua cabeça entre meu peito. Minhas lágrimas falavam pelo meu coração partido. Aquele raio o partiu ao meio. Já afastados, entre o rugido do motor a diesel, eu a assisto ir embora. Eu poderia tera alcançado, mas algo fincou meus pés naquele chão gélido.
         A roda gigante da consolação deveria continuar a girar, mas eu não havia dado fichas a ninguém. Foi uma troca desleal, só recebi seu nome, eu dei meu coração. Até hoje, guardo o medalhão prateado daquela moça. Um simples toque naquele cordão, leva-me ao completo êxtase, sentindo seu calor queimando meu corpo, assim, volto ao ponto de partida. Só o destino dirá... se ganhei ou não.

"Não aguentava mais esperar, você voltar..."

domingo, 15 de janeiro de 2012

Amantes apaixonados, corações separados! - Parte II

         Meu olhar de frustração era nítido até que o silêncio do recinto foi quebrado com algumas baladas antigas, despertando, assim, alguns casais. Achei conveniente abrir-me naquele momento.
         - Digo-lhe com toda franqueza, nunca vi mulher tão formosa como vossa pessoa. Peço-lhe desculpas pela língua frouxa, é que não sou graduado a lidar com damas. - Desabafei.
           Seu rosto de pele alva deu lugar ao vermelho, dei de cara com seu sorriso. Passei a sentir que nem tudo havia sido perdido, havia apenas a vergonha atravessada em nosso desejo. Neste momento, soltei meus demônios e sob efeito do alcool, tomei a coragem como amiga e chamei-a para ser meu par. Feliz, fiquei ao saber ela concordara.
          - Tu não queres saber quem sou? - Disse, eu, curioso.
          - Não, Tu és o meu estranho perfeito. Que tal mantermos assim? - Disse, sorrindo. 
          - Grande "pé-de-valsa", tu és! - Exclamei. 
          - Não sei apenas compassar os pés, posso ser sua guia no jogo do desejo. - Disse, ela, com um sorriso sem nenhum juizo.
          Não pude aguentar, aproveitei aquela deixa e decidi beijá-la. Fui tocando aqueles lábios macios com tanta intensidade, não conseguia me conter. Impressionado, fiquei quando senti o calor da sua boca tomando conta do meu ser, correspondendo-me. Derretia-me feito açucar, não estava apaixonado, mas confesso, já tinha dúvidas sobre minhas intenções. Um misto de desejo, paixão, curiosidade e tesão tomaram conta de mim por completo. Encontrava-me em transe. Continuavamos com aqueles movimentos frenéticos com tamanha intimidade, levando-me a crer que nos conheciamos há bastante tempo. 
          Interrompemos aquela loucura, já sem fôlego e olhando para o relógio, aquele sorriso deu lugar à um rosto triste.
          - Tenho que me despedir. Com este beijo, meu coração apela para ficar. Mas tenha certeza, essa noite foi a melhor que meus olhos puderam testemunhar. - Dizia triste e decidida.
Querem saber o que acontecerá com estes dois? Amanhã, estará a III e última parte desta grande história. Encontro vocês aqui.

sábado, 14 de janeiro de 2012

Amantes apaixonados, corações separados! - Parte I

         Após um fatídico dia, lembro-me indo a um bar de neon azul, calçada vagabunda, paredes manchadas. Em meio a um mar de conversas com um cardume de palavras exdrúxulas mergulhados, estava eu, sentei-me, recluso. Estava a tomar um whisky tão velho que nem a idade de meus grisalhos cabelos se atreveriam a competir. Não minto, tenho um olhar não muito simpático, minha lingua não é sociavel, até meu suor é frio como uma gota de orvalho.
         Já estava desiludido com aquela noite, mas algo me fez despertar. Entrando porta a dentro, surge uma mulher, com cabelos cor de fogo, vestido branco e longo, olhos tranparentes na cor do céu, boca vermelha e pequena. Sucinto, eu, estou em falar, tal beleza não existia nesta freguesia. Todos logo pararam de conversar, aqueles abutres logo fitaram os olhos naquela linda moça, encurralaram-na como caça.
         Em cada passo que dava, meu corpo entrava em colapso, descompassando-me. O mais intrigante foi seu repouso justamente ao meu lado. Ela decide tomar um tônico e eu, nervoso, com pernas paralizadas, decido arriscar em meio aquele silêncio angustiante.
         - Qual seu nome? - Pergunto como uma criança balbuciando as primeiras palavras.
         - Laila. - Disse-me levando um leve sorriso ao rosto.
           Não consegua entender como tal mulher poderia estar em um boteco como aquele. Acendi um cigarro, decidi oferecê-lo. Com um doce olhar, balançou o indicador negativando meu gesto de bondade. Deveria, eu, saber que ela não se rebaixaria às cinzas daquele rolo de nicotina. Envergonhado, rapidamente apaguei aquela bituca. Batendo na porta da redenção, pergunto o que aquela moça estaria fazendo, sozinha, naquele baixo lugar.  Com quatro palavras, ela respondeu:
           - Dias difíceis, meu caro. - Me disse com certo pesar.
Curiosos para saber o que acontece? Amanhã estará a Parte II disponivel aqui, neste mesmo blog, neste mesmo horário.

O filho pródigo

Caros leitores, perdoem este pobre mortal por tamanha displicência com este blog. Tive que organizar alguns problemas e por falta de tempo, não pude publicar mais nada, mas a partir de hoje, voltarei com força total!

RUMO À LUCIDEZ AMOROSA!