Nesses dias de tardes alcoolizadas, me encontrava em completo estado de melancolia, quando me vi, já estava em outro lugar, um lugar totalmente inóspito, desconhecido. Seu nome era amor. Neste lugar novo, estava, eu, perdido em meio de pedras pulsantes, flores exalando um perfume tão penetrante que me fez refletir: "ninguém ama outra pessoa por suas qualidades...". Pense um pouco, se isso não fosse verdade, os honestos, simpáticos e não fumantes estariam com um batalhão de pretendentes em suas portas. Passo então a julgar a lucidez feminina.
O verdadeiro amor não sabe contar, é totalmente irracional, não obedece sequer aos querubins mais poderosos. Ele acontece por empatia, encanto, emoção e não porque seu homem é educado, tem meteoro da paixão como ringtone no celular e de bônus, sabe brincar com sua língua. Para alguns, é absurdo ter medo de amar, de se entregar, de tentar ser feliz. Medo esse que instala-se em nossas vértebras e nos marca como reumatismo, fazendo-nos sofrer.
Mas, esse sentimento é nobre, intenso, nos faz flutuar. Falar ao telefone por horas, trocar nomes vira vício. Ele chega rasgando, nos por inteiro, faz um corte profundo do peito até a virilha. Pense mais um pouco, pense em suas pernas bambas ao vê-la, sua irracionalidade, seu coração batendo tão forte que quase explode, naquele beijo tão viciante quanto LSD. Mas, amigo, sou obrigado a interromper seu sonho. Nessa fase mora o perigo. O medo pode ser justificado. Estamos tão enfeitiçados que não sabemos onde começamos, nem mesmo onde estamos e muito manos quando o coração se quebra. Isso mesmo, tudo o que nasce, um dia deverá morrer.
Dessa vez, force sua mente e imagine-se num avião e sem aviso prévio, te jogam dele. Não te dão tempo nem mesmo de rogar à santo expedito outra chance para voltar a pecar. sem para quedas, você está indo de encontro ao chão e acaba chegando logo após de longos segundos agonizantes. Você de depara com uma luz ofuscante, te cega e pouco lhe importa para onde ela te levará, seu desejo é que toda a agonia seja exterminada. Voltando a realidade, o mesmo sentimento que foi cultivado com trabalho, perseverança e carinho, termina mal-agradecido, egoísta, pois nunca se encerra nos dois, desacelera antes do outro, extraviando dor para cada canto. É aberta uma ferida em seu corpo, um fratura exposta. Um amigo te conforta: - Você encontrará uma pessoa especial...
Como pode? Aquela/e sim era especial. Continuamos sendo rejeitados, sangrando sozinhos, definhamos em público. Encolhemos nosso orgulho e passamos a desejar qualquer violência vinda da rua que nos faça esquecer deste assalto que nos levou o tempo, orgulho e esperança. Com o tempo, a vida nos ensina a entrar nos eixos. Aquela dor vai passando, o coração sai de seu luto e volta a bater, olhos, já secos, ficam atentos a qualquer movimento suspeito, mas as lembranças ainda relutam, tatuadas no peito.
Te faço uma pergunta, te juro, é a ultima vez que te encho a paciência. Será que somos masoquistas? Apesar de termos um medo justificado, voltamos a cair na armadilha da paixão. Logo, entramos gostando outra vez, fingindo resistência, mas sabendo que é impossível recusar este novo amor.