sábado, 14 de janeiro de 2012

Amantes apaixonados, corações separados! - Parte I

         Após um fatídico dia, lembro-me indo a um bar de neon azul, calçada vagabunda, paredes manchadas. Em meio a um mar de conversas com um cardume de palavras exdrúxulas mergulhados, estava eu, sentei-me, recluso. Estava a tomar um whisky tão velho que nem a idade de meus grisalhos cabelos se atreveriam a competir. Não minto, tenho um olhar não muito simpático, minha lingua não é sociavel, até meu suor é frio como uma gota de orvalho.
         Já estava desiludido com aquela noite, mas algo me fez despertar. Entrando porta a dentro, surge uma mulher, com cabelos cor de fogo, vestido branco e longo, olhos tranparentes na cor do céu, boca vermelha e pequena. Sucinto, eu, estou em falar, tal beleza não existia nesta freguesia. Todos logo pararam de conversar, aqueles abutres logo fitaram os olhos naquela linda moça, encurralaram-na como caça.
         Em cada passo que dava, meu corpo entrava em colapso, descompassando-me. O mais intrigante foi seu repouso justamente ao meu lado. Ela decide tomar um tônico e eu, nervoso, com pernas paralizadas, decido arriscar em meio aquele silêncio angustiante.
         - Qual seu nome? - Pergunto como uma criança balbuciando as primeiras palavras.
         - Laila. - Disse-me levando um leve sorriso ao rosto.
           Não consegua entender como tal mulher poderia estar em um boteco como aquele. Acendi um cigarro, decidi oferecê-lo. Com um doce olhar, balançou o indicador negativando meu gesto de bondade. Deveria, eu, saber que ela não se rebaixaria às cinzas daquele rolo de nicotina. Envergonhado, rapidamente apaguei aquela bituca. Batendo na porta da redenção, pergunto o que aquela moça estaria fazendo, sozinha, naquele baixo lugar.  Com quatro palavras, ela respondeu:
           - Dias difíceis, meu caro. - Me disse com certo pesar.
Curiosos para saber o que acontece? Amanhã estará a Parte II disponivel aqui, neste mesmo blog, neste mesmo horário.

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