quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

Ponteiros oxidados

         Os fios de meus vividos cabelos já não conseguem contar a mesma história de existência. As cortantes ondas daquele mar já não oferecem resistência à onipotência de teu ser. Meu corpo, curvado, em busca de tuas palavras de acalanto, cansado, está, por brincares com a angústia de minha alma. Os ponteiros do obsoleto relógio, oxidados, estão, pelo contato impuro de minha fúteis lágrimas. Aqueles inesquecíveis segundos já não podem voltar.
         Estamos queimando abaixo da linha menosprezada do horizonte, estamos girando no centro do forte furacão, ele prometeu usurpar meu desgostoso coração. A salgada brisa conserva os pedaços finais de meu orgulho. O sol, corpo implacável, queima por completo, as marcantes lembranças de tuas carícias, arrancando tua bandeira, em mim, implantada nas vias indiretas da tua apaixonante estrada.
          Naquele gélido deserto, encontrei a roseira de teu amor. Minha alma pensou em gritar teu nome, abrir todo o manto pulsante. Gostaria de demonstrar-lhe o quão grande é minha paixão. Sinto, teu valoroso amor, meu, não vai ser, mas, em meio aos gritos e sussuros, ainda te amo. Cada segundo que penso em te falar, não contenho minha emoção, eu, apenas, gostaria de ter, ao meu lado, o teu nobre coração.

"Eu queria apenas dizer... - Eu te amo!"

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