Sobre as lágrimas regurgitadas de
tua razão, embebedo-me nos ensolarados dias que as centelhas de teu manto
pulsante tendem a apagar. Nos raios inertes à tua sombra, tracejo nos teus
sinceros erros, tua imagem, apática aos meus sentidos petrificados. As púrpuras
colinas de teu sorriso impressionam-me com seus choros celibatários. Cansado,
estou ao ver o show inacabado, mas com o fim imaginado, destinado ao meu coração
sufocado à desistência.
Não consigo ver-te diante da
névoa que está a pairar, mas tu sabes de onde veio, tu sabes conduzir-me por
entre as indecisões e sacrilégios. Diga-me apenas onde posso apoiar-me nesta
transpiração alada. Corto-me diante da resistência imposta por tuas fibras
perdidas, deixando-se levar na duvidosa vida passageira de um vestibular de
aventuras, esquecendo-me nas veredas dos Guimarães.
Sentado, estou a esperar teus
ditos ecoarem em meus ouvidos, mostrando-me tudo aquilo que, em consciência,
não posso dizer. Não consigo brecar estes avassaladores sentimentos por teu ser, mas queria apenas uma lágrima tua derramada, sufocando meu orgulho. Julgue minhas horas compartilhadas à tua alma, desbravando tua irresistivel inocência, não querendo-me entregar à aceitação do finito. Julgue este amor imerso em paixão explícito, embebido em carinho irrestrito, com sabor de infinito.
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