terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Errôneos caminhos

         Balões explodem, carros colidem, luzes ofuscam e minhas lágrimas caem com frequência, agora. Lembro-me, com glórias do passado, de teus segredos de amor. Meu peito encontra-se ferido, pedindo socorro aos Deuses de tua alma, implorando por tua singela misericórdia.
          Quando, em tí, penso, sinto um forte raio atravessar minhas frágeis entranhas, rasgando-me por inteiro, pegando-me sem cumprimentos, apenas aproveitando-se de tuas saudades, vivenciadas por meu ser. Adentro-me em tua falsa fortaleza, apego-me nas notas de tua canção e com elas, viajo nas lembranças pausadas nos segundos obsoletos do teu coração.
           Tua felicidade entristece-me, desvaneço-me no olhar do teu capataz, vegeto em teus beijos amargos, no percorrer de teus errôneos caminhos, nos lábios do teu feliz senhor. Desvio, além do horizonte, à procura de doce presença, alimentando-se dos respiros que deixastes aqui, consumindo-os, pouco a pouco, sabendo que tua alma, comigo, não mais está.         

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

Estapafúrdias saudades

        Meu estigma afoga-se na dor da saudade daquela que já se foi. Meu corpo, enfraquece-se nos segundos ardentes em minha alma, esquecidos pelo teu ser. Luzes brilhantes, abraços maltratantes tendem a pulsar dentro de meu manto fibrilante. Friamente falando, posso sentir tuas delicadas mãos queimando-me naquelas tardes destiladas de tua afável primavera.
      Em tua carta amável, procuro tuas digitais. No chulo linho, procuro o teu doce perfume. Em meu corpo,  passo a procurar tua inesquecível companhia. Meu coração, dissonante, encontra-se no décimo andar,  desencontrando-se nas escadas descontroladamente, em busca de tua visionária sombra, nos solitários carrosséis da vida.
      Arritmo, meu pulso reclama por tuas saudades. Perco os sentidos, arranquei-me-à dos delírios da sensibilidade. Cavalos-marinhos, nos recifes, não se alocam mais. Tu abdicastes da coragem para tocar nas doze chaves de minha velha corrente. A porta esteve aberta, a segurança foi deslocada, somente, meu pobre coração, vazio, estagnou-se, levando-me ao nada.






quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

Ponteiros oxidados

         Os fios de meus vividos cabelos já não conseguem contar a mesma história de existência. As cortantes ondas daquele mar já não oferecem resistência à onipotência de teu ser. Meu corpo, curvado, em busca de tuas palavras de acalanto, cansado, está, por brincares com a angústia de minha alma. Os ponteiros do obsoleto relógio, oxidados, estão, pelo contato impuro de minha fúteis lágrimas. Aqueles inesquecíveis segundos já não podem voltar.
         Estamos queimando abaixo da linha menosprezada do horizonte, estamos girando no centro do forte furacão, ele prometeu usurpar meu desgostoso coração. A salgada brisa conserva os pedaços finais de meu orgulho. O sol, corpo implacável, queima por completo, as marcantes lembranças de tuas carícias, arrancando tua bandeira, em mim, implantada nas vias indiretas da tua apaixonante estrada.
          Naquele gélido deserto, encontrei a roseira de teu amor. Minha alma pensou em gritar teu nome, abrir todo o manto pulsante. Gostaria de demonstrar-lhe o quão grande é minha paixão. Sinto, teu valoroso amor, meu, não vai ser, mas, em meio aos gritos e sussuros, ainda te amo. Cada segundo que penso em te falar, não contenho minha emoção, eu, apenas, gostaria de ter, ao meu lado, o teu nobre coração.

"Eu queria apenas dizer... - Eu te amo!"

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Cinco segundos

         Sentado, eu estava, quando o sol pôs-se a sair de cena. Eu estava tão pálido, não sentia os fluídos passearem por entre minhas veias, minha pele encontrava-se dilacerada pelas mãos do tempo e eu, estava velho e cansado de caminhar. Deitei na argilosa areia da morbidez, fixei meu olhar para aquele céu alaranjado, fitei meu coração para tua face, refletida de minha pobre esperança.
        Minha razão apontou para o relógio, os ponteiros giravam tão rápido e, em meio àqueles segundos obsoletos, soluçando em meu pulso, pedia para alí, ficar. Meus pobres vocábulos resumiam-se em teu pequeno nome. Com minhas lágrimas transpassadas em meu cortado rosto, aprendi a não mais pôr o dedo na tomada.
         Estava a vislumbrar teus olhos, percebi que ias embora sem cumprimentos. Acordei-me com aquelas gélidas gotas salgadas em meus pés, o mar já estava a nos separar. Teu beijo, a mim concebido na alameda do filho do salgado senador, desdobrava-me por inteiro, aquele calor, por mim, não seria mais sentido. Não conseguia acompanhar-te, apenas teu vácuo, a mim, fazia companhia.
         Se cinco segundos, tiveres, no estrondar de teu pulso, as estações não conseguem durar, então só há uma coisa a falar, fiques comigo. Fique, apenas não vá embora, deixe-me num outro dia, num dia como o de hoje, sem ninguém por perto.

"O verão mudou, teu coração também."

sábado, 28 de janeiro de 2012

Nunca sem você

         Alheio ao medo tardio, encontro-me no término do destino, preso ao passado subjacente, onde o indicativo de meu presente já não apresenta as glórias da sagrada maravílha. Sedento daquelas singelas horas, vejo-me estrangulado pelo desejo de tua fria presença, mas continuo com o peito aberto, esperando pegares o que realmente importa, meu fracionado coração.
        Destas grades envenenadas, não consigo a libertação dos rostos que conheço. Seguro as lágrimas, sabendo que nada mais ousa brotar nas inférteis emoções. Já não sei encarar minha verdade, estou fora do jogo, quebrei todas as regras, já não posso rolar os dados. Meus pulmões, só agraciam do oxigênio quando o lembro-me do reflexo daqueles raios de primavera passeando pelas ondas de teus claros cabelos. Hoje, só posso imaginar o brilho das estrelas mirando em teus olhos.
        Sem teu respiro, minha melodia perde a rima, como as notas de uma velha canção desbotada. Meus batimentos estão sem métrica, esperando teu ritmo para minha aquietação. Apenas teu carinho retira-me das profundezas da noite sombria, trazendo-me à luz ofuscante do teu amor. Posso decidir o tempo final, driblando a solidão ao som da tua doce voz. Contigo, posso fazer nosso minuto atingir a eternidade. Tenho que seguir-te, pois tudo o que sei, não é coisa alguma até ter apresentado a teu ser.

"Você é o alguém de quem posso depender."
          

sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

Indubitável

         Deitado, pus-me a pensar nas secretas imagens que navegam sem destino na nascente de minhas lembranças. Sem porto para ancorar, seguro-me, perdido, nas ondas da ilusão, deixando-me levar por cada pulso do meu peito, contido. Nas negras águas de minha consciência indubitável, sinto o gélido calor tocando minha inocente pele, rasgando-a, deixando-me indefeso, desejando tua fortaleza.
           Entre as luzes de neon de meu solitário barco, sento-me no vante, transporto-me àqueles singelos bancos que nos uniu, de um simples abraço companheiro e carinhoso, surge aquele beijo vergonhoso, tímido, mas caloroso, apaixonado. Conseguia sentir o sorriso brotar em teu vermelho rosto. Naqueles claros olhos, via-me refletido, incrédulo com teu acalanto. Rezei para que teu espelho nunca mirasse-me ao sabor do engano.
            Linda donzela, fiques comigo. Fostes embora e com um feitor, fazes teu presente,  mas sob tutela, tens meu inocente coração. Singelo, sou em falar, não sei interpretar o roteiro de amor como fazem na TV, nem mesmo consigo fazer aquela linda e calma canção como deve ser. Não posso fazer tudo, mas dou minha prata, ouro e mirra por você. Não farei nada, além de amar teu ser.

"Ele diz algo, como: - Eu e você, amor, o que achas?"