Sentado, eu estava, quando o sol pôs-se a sair de cena. Eu estava tão pálido, não sentia os fluídos passearem por entre minhas veias, minha pele encontrava-se dilacerada pelas mãos do tempo e eu, estava velho e cansado de caminhar. Deitei na argilosa areia da morbidez, fixei meu olhar para aquele céu alaranjado, fitei meu coração para tua face, refletida de minha pobre esperança.
Minha razão apontou para o relógio, os ponteiros giravam tão rápido e, em meio àqueles segundos obsoletos, soluçando em meu pulso, pedia para alí, ficar. Meus pobres vocábulos resumiam-se em teu pequeno nome. Com minhas lágrimas transpassadas em meu cortado rosto, aprendi a não mais pôr o dedo na tomada.
Estava a vislumbrar teus olhos, percebi que ias embora sem cumprimentos. Acordei-me com aquelas gélidas gotas salgadas em meus pés, o mar já estava a nos separar. Teu beijo, a mim concebido na alameda do filho do salgado senador, desdobrava-me por inteiro, aquele calor, por mim, não seria mais sentido. Não conseguia acompanhar-te, apenas teu vácuo, a mim, fazia companhia.
Se cinco segundos, tiveres, no estrondar de teu pulso, as estações não conseguem durar, então só há uma coisa a falar, fiques comigo. Fique, apenas não vá embora, deixe-me num outro dia, num dia como o de hoje, sem ninguém por perto.
"O verão mudou, teu coração também."
o verão passou, tudo mudou.
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