domingo, 12 de fevereiro de 2012

Amargo silêncio

         Por entre as barganhas da solitária madrugada, reacendo-me descontente com o travesseiro mal-conjugado, indefinido com tua partida. Minhas mãos, trêmulas, desesperam-se com a falta de doçura. Teu cheiro, em mim, se demora e encarcera-me na parada de tuas vias indiretas. Vejo minhas pegadas, em teu corpo, desaparecer nas sordidas mãos do esquecimento.
          Minhas lágrimas deleitam no teu papel de bombom esquecido e, a mim, dado no êxtase de teu amor insinuante. O olhar sincero que trocamos, cada sorriso que sorrimos, cada abraço caloroso dado, cada palavra dita, cada lágrima de alegria chorada parada nos segundos impiedosos de teu coração. Aquelas palavras navegam na imensidão de minhas entranhas, perfurando-me com tuas lembranças, deixando-me mais perto de teu rastro, vivenciando tuas emoções obsoletas enfiadas naquele branco papel.
          Deixe-me, em teus saudades, ainda viver. Deixe-me habitar o porão de teu peito, vencer esta dor através de teu amargo silêncio de tua pulsação. Já não posso saber quem tu és, nem mesmo escolher a cor de teus dentes metálicos, muito menos fechar com meus lábios intercostados em tuas mãos. Meu peito, a tí, grita: "Um amigo, eu perdôo, mas você, eu ainda amo".

"Para você. Beijos de seu... eterno amante."

sábado, 11 de fevereiro de 2012

Perdidos, indefinidos

Carinhos, falácias;
Palpitações descontroladas;
Beijos cronometrados;
Segundos mal interpretados;

Tua sombra vigente está a dançar comigo;
Algo irreal, tornou-se fatal;
Eu era apenas o seu amigo;

Entro no meu quarto, coração largado;
Pupilas dilatadas, lágrimas, em tua carta, debruçadas;
Escrito: "Amo teus beijos, abraços, tudo. Eu e você quem sabe pode ser."
Tua voz, ouço ecoar ao meu lado;
Olhares solitários, enlouquecidos;
Sentimentos, teus, perdidos, indefinidos;

Mas não demore a perceber;
Que, ainda, gosto muito de você;
Mando sinais para você;
Talvez me notar;

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Errôneos caminhos

         Balões explodem, carros colidem, luzes ofuscam e minhas lágrimas caem com frequência, agora. Lembro-me, com glórias do passado, de teus segredos de amor. Meu peito encontra-se ferido, pedindo socorro aos Deuses de tua alma, implorando por tua singela misericórdia.
          Quando, em tí, penso, sinto um forte raio atravessar minhas frágeis entranhas, rasgando-me por inteiro, pegando-me sem cumprimentos, apenas aproveitando-se de tuas saudades, vivenciadas por meu ser. Adentro-me em tua falsa fortaleza, apego-me nas notas de tua canção e com elas, viajo nas lembranças pausadas nos segundos obsoletos do teu coração.
           Tua felicidade entristece-me, desvaneço-me no olhar do teu capataz, vegeto em teus beijos amargos, no percorrer de teus errôneos caminhos, nos lábios do teu feliz senhor. Desvio, além do horizonte, à procura de doce presença, alimentando-se dos respiros que deixastes aqui, consumindo-os, pouco a pouco, sabendo que tua alma, comigo, não mais está.         

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

Estapafúrdias saudades

        Meu estigma afoga-se na dor da saudade daquela que já se foi. Meu corpo, enfraquece-se nos segundos ardentes em minha alma, esquecidos pelo teu ser. Luzes brilhantes, abraços maltratantes tendem a pulsar dentro de meu manto fibrilante. Friamente falando, posso sentir tuas delicadas mãos queimando-me naquelas tardes destiladas de tua afável primavera.
      Em tua carta amável, procuro tuas digitais. No chulo linho, procuro o teu doce perfume. Em meu corpo,  passo a procurar tua inesquecível companhia. Meu coração, dissonante, encontra-se no décimo andar,  desencontrando-se nas escadas descontroladamente, em busca de tua visionária sombra, nos solitários carrosséis da vida.
      Arritmo, meu pulso reclama por tuas saudades. Perco os sentidos, arranquei-me-à dos delírios da sensibilidade. Cavalos-marinhos, nos recifes, não se alocam mais. Tu abdicastes da coragem para tocar nas doze chaves de minha velha corrente. A porta esteve aberta, a segurança foi deslocada, somente, meu pobre coração, vazio, estagnou-se, levando-me ao nada.






quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

Ponteiros oxidados

         Os fios de meus vividos cabelos já não conseguem contar a mesma história de existência. As cortantes ondas daquele mar já não oferecem resistência à onipotência de teu ser. Meu corpo, curvado, em busca de tuas palavras de acalanto, cansado, está, por brincares com a angústia de minha alma. Os ponteiros do obsoleto relógio, oxidados, estão, pelo contato impuro de minha fúteis lágrimas. Aqueles inesquecíveis segundos já não podem voltar.
         Estamos queimando abaixo da linha menosprezada do horizonte, estamos girando no centro do forte furacão, ele prometeu usurpar meu desgostoso coração. A salgada brisa conserva os pedaços finais de meu orgulho. O sol, corpo implacável, queima por completo, as marcantes lembranças de tuas carícias, arrancando tua bandeira, em mim, implantada nas vias indiretas da tua apaixonante estrada.
          Naquele gélido deserto, encontrei a roseira de teu amor. Minha alma pensou em gritar teu nome, abrir todo o manto pulsante. Gostaria de demonstrar-lhe o quão grande é minha paixão. Sinto, teu valoroso amor, meu, não vai ser, mas, em meio aos gritos e sussuros, ainda te amo. Cada segundo que penso em te falar, não contenho minha emoção, eu, apenas, gostaria de ter, ao meu lado, o teu nobre coração.

"Eu queria apenas dizer... - Eu te amo!"

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Cinco segundos

         Sentado, eu estava, quando o sol pôs-se a sair de cena. Eu estava tão pálido, não sentia os fluídos passearem por entre minhas veias, minha pele encontrava-se dilacerada pelas mãos do tempo e eu, estava velho e cansado de caminhar. Deitei na argilosa areia da morbidez, fixei meu olhar para aquele céu alaranjado, fitei meu coração para tua face, refletida de minha pobre esperança.
        Minha razão apontou para o relógio, os ponteiros giravam tão rápido e, em meio àqueles segundos obsoletos, soluçando em meu pulso, pedia para alí, ficar. Meus pobres vocábulos resumiam-se em teu pequeno nome. Com minhas lágrimas transpassadas em meu cortado rosto, aprendi a não mais pôr o dedo na tomada.
         Estava a vislumbrar teus olhos, percebi que ias embora sem cumprimentos. Acordei-me com aquelas gélidas gotas salgadas em meus pés, o mar já estava a nos separar. Teu beijo, a mim concebido na alameda do filho do salgado senador, desdobrava-me por inteiro, aquele calor, por mim, não seria mais sentido. Não conseguia acompanhar-te, apenas teu vácuo, a mim, fazia companhia.
         Se cinco segundos, tiveres, no estrondar de teu pulso, as estações não conseguem durar, então só há uma coisa a falar, fiques comigo. Fique, apenas não vá embora, deixe-me num outro dia, num dia como o de hoje, sem ninguém por perto.

"O verão mudou, teu coração também."