segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Cinco segundos

         Sentado, eu estava, quando o sol pôs-se a sair de cena. Eu estava tão pálido, não sentia os fluídos passearem por entre minhas veias, minha pele encontrava-se dilacerada pelas mãos do tempo e eu, estava velho e cansado de caminhar. Deitei na argilosa areia da morbidez, fixei meu olhar para aquele céu alaranjado, fitei meu coração para tua face, refletida de minha pobre esperança.
        Minha razão apontou para o relógio, os ponteiros giravam tão rápido e, em meio àqueles segundos obsoletos, soluçando em meu pulso, pedia para alí, ficar. Meus pobres vocábulos resumiam-se em teu pequeno nome. Com minhas lágrimas transpassadas em meu cortado rosto, aprendi a não mais pôr o dedo na tomada.
         Estava a vislumbrar teus olhos, percebi que ias embora sem cumprimentos. Acordei-me com aquelas gélidas gotas salgadas em meus pés, o mar já estava a nos separar. Teu beijo, a mim concebido na alameda do filho do salgado senador, desdobrava-me por inteiro, aquele calor, por mim, não seria mais sentido. Não conseguia acompanhar-te, apenas teu vácuo, a mim, fazia companhia.
         Se cinco segundos, tiveres, no estrondar de teu pulso, as estações não conseguem durar, então só há uma coisa a falar, fiques comigo. Fique, apenas não vá embora, deixe-me num outro dia, num dia como o de hoje, sem ninguém por perto.

"O verão mudou, teu coração também."

sábado, 28 de janeiro de 2012

Nunca sem você

         Alheio ao medo tardio, encontro-me no término do destino, preso ao passado subjacente, onde o indicativo de meu presente já não apresenta as glórias da sagrada maravílha. Sedento daquelas singelas horas, vejo-me estrangulado pelo desejo de tua fria presença, mas continuo com o peito aberto, esperando pegares o que realmente importa, meu fracionado coração.
        Destas grades envenenadas, não consigo a libertação dos rostos que conheço. Seguro as lágrimas, sabendo que nada mais ousa brotar nas inférteis emoções. Já não sei encarar minha verdade, estou fora do jogo, quebrei todas as regras, já não posso rolar os dados. Meus pulmões, só agraciam do oxigênio quando o lembro-me do reflexo daqueles raios de primavera passeando pelas ondas de teus claros cabelos. Hoje, só posso imaginar o brilho das estrelas mirando em teus olhos.
        Sem teu respiro, minha melodia perde a rima, como as notas de uma velha canção desbotada. Meus batimentos estão sem métrica, esperando teu ritmo para minha aquietação. Apenas teu carinho retira-me das profundezas da noite sombria, trazendo-me à luz ofuscante do teu amor. Posso decidir o tempo final, driblando a solidão ao som da tua doce voz. Contigo, posso fazer nosso minuto atingir a eternidade. Tenho que seguir-te, pois tudo o que sei, não é coisa alguma até ter apresentado a teu ser.

"Você é o alguém de quem posso depender."
          

sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

Indubitável

         Deitado, pus-me a pensar nas secretas imagens que navegam sem destino na nascente de minhas lembranças. Sem porto para ancorar, seguro-me, perdido, nas ondas da ilusão, deixando-me levar por cada pulso do meu peito, contido. Nas negras águas de minha consciência indubitável, sinto o gélido calor tocando minha inocente pele, rasgando-a, deixando-me indefeso, desejando tua fortaleza.
           Entre as luzes de neon de meu solitário barco, sento-me no vante, transporto-me àqueles singelos bancos que nos uniu, de um simples abraço companheiro e carinhoso, surge aquele beijo vergonhoso, tímido, mas caloroso, apaixonado. Conseguia sentir o sorriso brotar em teu vermelho rosto. Naqueles claros olhos, via-me refletido, incrédulo com teu acalanto. Rezei para que teu espelho nunca mirasse-me ao sabor do engano.
            Linda donzela, fiques comigo. Fostes embora e com um feitor, fazes teu presente,  mas sob tutela, tens meu inocente coração. Singelo, sou em falar, não sei interpretar o roteiro de amor como fazem na TV, nem mesmo consigo fazer aquela linda e calma canção como deve ser. Não posso fazer tudo, mas dou minha prata, ouro e mirra por você. Não farei nada, além de amar teu ser.

"Ele diz algo, como: - Eu e você, amor, o que achas?"

domingo, 22 de janeiro de 2012

Miragem

         Ontem, tive como amiga, a lua, que estava a me acompanhar enquanto minha alma procurava tua sombra, sedento do teu frio calor. Com os olhos mergulhados em lágrimas, estava a vislumbrar aqueles brilhantes diamantes no céu, tentando encontrar naqueles ofuscantes feixes de luz, teu paradeiro.
           Estava a sentir aquela água batendo em meus sedentos pés. A imensidão daquele negro mar estava a separar nossos lábios. Não podia sentir teu coração bater, mas podia sentir tua leve brisa entrelaçada em meus solitários braços. Não posso voltar a dormir, com tua voz congelada, com as gotas de minhas lágrimas reacionando em nossos lábios, com o vazio de meu travesseiro. Minha lucidez, dilacerada, presenteara-me com uma longa viagem às minhas lembranças, aterrisando naquele dia de chuva intensa, aconchego apaixonado, beijo inesquecivel, onde nem o frio conseguira atravesar meu peito. 
           Tua miragem, ao menos, veio me acompanhar na longa jornada sem você. Conforto-me com a certeza de que minhas lágrimas tem a participação de tua falsa presença.
            

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

Já se pode lavar...

Aqueles dolorosos pingos de chuva;
Lavaram as pérolas negras de meus olhos;
Depositaram as lembranças no criado-mudo;
Tuas leis foram tatudas em meu mundo;
Em meu peito, está aquilo que te prometi;

Aquela salgada chuva;
Engatilhou todos os planos;
Gélido, meus dedos tentam te tocar;
Minhas lágrimas saem da terra mundana;
Minha boca, omitida, engole à seco teu olhar;

Por favor, mostre outra vez o caminho;
Com o nó na garganta, não posso mais gritar;
Estou enfraquecido pela visão;
Daquela glória que, em mim, não existe mais;
Aqui, continuarei até o próximo inverno me pegar;

Não há mais diferença;
Aquele vento me balança nervosamente;
Aquele beijo está em minha mente;
Naquele espelho, lá estou e nada o pode derrotar;
Agarro-me naquele fio de esperança e peço para Ele me olhar;

Há uma floresta cheia das rosas que temo;
Mas, eu entrarei, se, a mim, for dado um tempo;
Acelero meus passos, com os dedos cruzados;
Estou a caminho, minha alma, resgatarei;
Falarei o que penso, eu me importarei;










quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

Esperando por você

Uma lágrima, dos meus vermelhos olhos, caiu;
No meu gélido travesseiro e logo senti;
A solidão havia chegado e de amiga, trouxe o vazio

Acordei, levantei e olhei;
Meu coração disparou, não acreditei;
Naquela porta estava você;
De felicidade, desabei;

As estrelas no céu, eu contei;
A cada segundo, te esperei;
Vi a imensidão do mar;
Desejei àquela brisa, de volta, trazer-te;
Meu coração presenciou o sol nascer;
Mas ele desejava teus braços para se aquecer;

Meu amor, entra, me abraça;
Já não aguentava mais esperar;
Você, para meu braços, voltar;

Meu amor, olha a sua volta;
Tudo aqui está no mesmo lugar;
E eu aqui... continuando a amar você;
Somente você;

"Desculpe-me, meu coração é teimoso..."

Adaptação: Esperando você.