domingo, 18 de março de 2012

Elas farão nossos túmulos

Sobre a areia, sobre a baía
"Há um jeito rápido e fácil, querido", você dizia
Antes que você demonstre
Eu prefiro deixar claro:
Eu não sou a luz que pensas que eu sou
E o filho nativo da desolação?
Não, ele não sorrirá para ninguém
E as garotas providas? 
Sim, elas farão nossos túmulos
Elas nos beijarão com seus poréns
Fim do ancoradouro, fim da quietação
Lágrimas secadas, coração selado
Mas aberto à tuas palavras de salvação
Não mais quero correr e roubar os cegos da velha estrada

Entrastes escondida em meu quarto
Vistes meu sorriso celibatário
Roubaste meus manchados desenhos
Sinto que não esperarás meu momento
Ela mescla um ser rude
E eu, pura delicadeza

Sobre a areia, sobre a baia
No nosso lugar, outro, ela volta a encontrar
Este pega e beija a sua mão
Um sorriso estupido volta a falar
Era o esperado
Não sou a luz que pensas que sou




sábado, 3 de março de 2012

Incansável..


        Sobre as lágrimas regurgitadas de tua razão, embebedo-me nos ensolarados dias que as centelhas de teu manto pulsante tendem a apagar. Nos raios inertes à tua sombra, tracejo nos teus sinceros erros, tua imagem, apática aos meus sentidos petrificados. As púrpuras colinas de teu sorriso impressionam-me com seus choros celibatários. Cansado, estou ao ver o show inacabado, mas com o fim imaginado, destinado ao meu coração sufocado à desistência.
        Não consigo ver-te diante da névoa que está a pairar, mas tu sabes de onde veio, tu sabes conduzir-me por entre as indecisões e sacrilégios. Diga-me apenas onde posso apoiar-me nesta transpiração alada. Corto-me diante da resistência imposta por tuas fibras perdidas, deixando-se levar na duvidosa vida passageira de um vestibular de aventuras, esquecendo-me nas veredas dos Guimarães. 
      Sentado, estou a esperar teus ditos ecoarem em meus ouvidos, mostrando-me tudo aquilo que, em consciência, não posso dizer. Não consigo brecar estes avassaladores sentimentos por teu ser, mas queria apenas uma lágrima tua derramada, sufocando meu orgulho. Julgue minhas horas compartilhadas à tua alma, desbravando tua irresistivel inocência, não querendo-me entregar à aceitação do finito. Julgue este amor imerso em paixão explícito, embebido em carinho irrestrito, com sabor de infinito.

terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

Instinto coronário

"Vivo dos respiros, teus, deixados aqui. Consumo-os enquanto, comigo, não estás."  
         
         Cruzando a linha do silêncio, desbravando a lucidez deste infinito horizonte, viajo na velocidade de tua pulsação, tentando encontrar-te no paradoxo quebrado neste silêncio inquieto de meu coração. Minhas energias resumem-se em apenas uma grandeza vigente, teu ser. Meus instintos coronários resumem-se na mais completa forma para se gostar inventada pelo grande soberano, o intrínseco amor, que guia-me por entre a escuridão da distância até teu vivido peito.
         Quieto, já não consigo ficar. Vontade, tenho de descortinar teus sonhos e trazê-los para nossa realidade. Quero revirar-te inteira, conhecer a sede abstrata de teu manto pulsante. Quero ser aquele capaz de levá-la até a intima dimensão, deixando-a sentir a imensidão do céu, onde a estrela maior é você. Em ti, passo na tua vivência, contemplo sua estrangeira cidade. Sozinho, apenas com o instinto de alguém que sabe amar. Sozinho, mas sempre junto de você.  
           Disponho-me à compreender-te quando até mesmo teu travesseiro tende a trair-te em juizo imperfeito. Meus imperatívos sentimentos, dou-te em mão única. À tí, compartilho os meus melhores anos com tua vida impressa na minha, amando-te na felicidade e na indiferença, na prosperidade e na opacidade, até que a eternidade consiga nos separar.

"Não posso, aqui, cansar-me e esperar"

sábado, 18 de fevereiro de 2012

Coração vadio


O garoto eternamente atormentado;
Por trás do ódio, jaz;
Um desejo homicida por amor;
Como eles podem dilacerar em meus olhos;
E continuar sem acreditar em mim?;

Como podem ouvir-me, incredulamente, ditar as santas palavras;
E continuar sem acreditar em mim?;
E se eles não acreditam em mim agora;
Eles acreditarão algum dia?
E se eles não acreditam em mim agora;
Eles me esconderão no porão do amor algum dia?;

O garoto eternamente atormentado;
Por trás do ódio, jaz;
Um desejo inescrupuloso de roubar amor;
Como eles podem ver o horizonte rasgar em nossos olhos;
E continuar sem acreditar em nós?;
Parados, com os pulsos fraturados;
Ainda renego o doce invalidado;

E se tu não brincares sobre os choros celibatários agora;
Eu, em ti, acreditarei algum dia?
E quando quiseres, sob o coração vadio, perecer;
Como começarás?;
Por onde tu andarás?;
Quem, ainda, tu precisas desmerecer?;

"Vívido e no seu auge, você vai me deixar para trás..."

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

Uma vez...

       Sozinho, deparo-me trilhando as fibras do vermelho deserto. As ponderadas pulsações encaminham-me até a sombra de tua direção, delirando em tua imensidão. Não consigo enxegar-te, na rota do meu momento, se perdestes o equilibrio na aorta de meus sentimentos. Imagino-me acima das jovens nuvens de teu céu, esperando uma só sentença tua para ser salvo desta queda sem fim. Ainda lembro-me dos beijos franceses, a mim, concebidos, lacrando a escura porta de tua vergonha.
      Nas incertezas do gélido raio azul, como posso deixa-la partir apenas com meus escritos em teus horizontes? Aquele céu avermelhado ilustra nossas lembranças, polarizando meus sentidos, aumentando, por ti, meu intrínseco amor. Será que estás sendo agraciada por meus sentimentos insaturados? Será que tu vês o mesmo paraíso estrelado que teu amante? Já não há mais diferença, são tantas vidas à responder. Há tantas falácias que, para ti, preciso decifrar. Há tantas razões que, de teu metálico sorriso, ainda venho a me recordar.
       Sob o fogo ardente, na penugem da fênix, assistimos nosso riso, nos encontramos em nossa dor, compartilhamos de nossas lágrimas e, assim, reconheceste-me por inteiro. A oxidada ponte já pede para ir ao chão, a medida de meu olhos vermelhos já lhe é incoveniente. O salgado senador não mais participa do final, apenas, do começo, se vangloriou e nas maravilhas da inocencia, no pesar, ele reina. Olhes para meu ser, no cais da correnteza, estou abandonado, com os braços frios e vazios. Queria apenas, com minhas palavras molhadas, fazer-te voltar. Volte, num dia como hoje, no qual sentires tuas mãos frias, quando, quentes, meus lábios, estiver.
          Ao supremo, peço apenas para que, no calor de teus braços, eu possa estar. Na doçura de teus beijos, consiga encontrar-me. Nos respiros de teu ser, recoponha-me e na felicidade desta união, volte a naturalizar-me.       
"O gosto do teu beijo ficou em minha boca e não sai..."
"Você é... chato, abusado..." 

domingo, 12 de fevereiro de 2012

Amargo silêncio

         Por entre as barganhas da solitária madrugada, reacendo-me descontente com o travesseiro mal-conjugado, indefinido com tua partida. Minhas mãos, trêmulas, desesperam-se com a falta de doçura. Teu cheiro, em mim, se demora e encarcera-me na parada de tuas vias indiretas. Vejo minhas pegadas, em teu corpo, desaparecer nas sordidas mãos do esquecimento.
          Minhas lágrimas deleitam no teu papel de bombom esquecido e, a mim, dado no êxtase de teu amor insinuante. O olhar sincero que trocamos, cada sorriso que sorrimos, cada abraço caloroso dado, cada palavra dita, cada lágrima de alegria chorada parada nos segundos impiedosos de teu coração. Aquelas palavras navegam na imensidão de minhas entranhas, perfurando-me com tuas lembranças, deixando-me mais perto de teu rastro, vivenciando tuas emoções obsoletas enfiadas naquele branco papel.
          Deixe-me, em teus saudades, ainda viver. Deixe-me habitar o porão de teu peito, vencer esta dor através de teu amargo silêncio de tua pulsação. Já não posso saber quem tu és, nem mesmo escolher a cor de teus dentes metálicos, muito menos fechar com meus lábios intercostados em tuas mãos. Meu peito, a tí, grita: "Um amigo, eu perdôo, mas você, eu ainda amo".

"Para você. Beijos de seu... eterno amante."