domingo, 22 de janeiro de 2012

Miragem

         Ontem, tive como amiga, a lua, que estava a me acompanhar enquanto minha alma procurava tua sombra, sedento do teu frio calor. Com os olhos mergulhados em lágrimas, estava a vislumbrar aqueles brilhantes diamantes no céu, tentando encontrar naqueles ofuscantes feixes de luz, teu paradeiro.
           Estava a sentir aquela água batendo em meus sedentos pés. A imensidão daquele negro mar estava a separar nossos lábios. Não podia sentir teu coração bater, mas podia sentir tua leve brisa entrelaçada em meus solitários braços. Não posso voltar a dormir, com tua voz congelada, com as gotas de minhas lágrimas reacionando em nossos lábios, com o vazio de meu travesseiro. Minha lucidez, dilacerada, presenteara-me com uma longa viagem às minhas lembranças, aterrisando naquele dia de chuva intensa, aconchego apaixonado, beijo inesquecivel, onde nem o frio conseguira atravesar meu peito. 
           Tua miragem, ao menos, veio me acompanhar na longa jornada sem você. Conforto-me com a certeza de que minhas lágrimas tem a participação de tua falsa presença.
            

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

Já se pode lavar...

Aqueles dolorosos pingos de chuva;
Lavaram as pérolas negras de meus olhos;
Depositaram as lembranças no criado-mudo;
Tuas leis foram tatudas em meu mundo;
Em meu peito, está aquilo que te prometi;

Aquela salgada chuva;
Engatilhou todos os planos;
Gélido, meus dedos tentam te tocar;
Minhas lágrimas saem da terra mundana;
Minha boca, omitida, engole à seco teu olhar;

Por favor, mostre outra vez o caminho;
Com o nó na garganta, não posso mais gritar;
Estou enfraquecido pela visão;
Daquela glória que, em mim, não existe mais;
Aqui, continuarei até o próximo inverno me pegar;

Não há mais diferença;
Aquele vento me balança nervosamente;
Aquele beijo está em minha mente;
Naquele espelho, lá estou e nada o pode derrotar;
Agarro-me naquele fio de esperança e peço para Ele me olhar;

Há uma floresta cheia das rosas que temo;
Mas, eu entrarei, se, a mim, for dado um tempo;
Acelero meus passos, com os dedos cruzados;
Estou a caminho, minha alma, resgatarei;
Falarei o que penso, eu me importarei;










quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

Esperando por você

Uma lágrima, dos meus vermelhos olhos, caiu;
No meu gélido travesseiro e logo senti;
A solidão havia chegado e de amiga, trouxe o vazio

Acordei, levantei e olhei;
Meu coração disparou, não acreditei;
Naquela porta estava você;
De felicidade, desabei;

As estrelas no céu, eu contei;
A cada segundo, te esperei;
Vi a imensidão do mar;
Desejei àquela brisa, de volta, trazer-te;
Meu coração presenciou o sol nascer;
Mas ele desejava teus braços para se aquecer;

Meu amor, entra, me abraça;
Já não aguentava mais esperar;
Você, para meu braços, voltar;

Meu amor, olha a sua volta;
Tudo aqui está no mesmo lugar;
E eu aqui... continuando a amar você;
Somente você;

"Desculpe-me, meu coração é teimoso..."

Adaptação: Esperando você.

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Amantes apaixonados, corações separados! - Parte III

         Aquelas palavras ecoaram em meu ouvido, elas foram empurradas goela abaixo com uma grande dose de dor. Caminhando calmamente, aproveitando os últimos minutos de glória, chegamos à porta. Ela foi sacando algo da bolseta de couro que carregava, uma corrente foi tomando forma. Abrindo minha mão e simetricamente, foi despejando aquele medalhão, disse:
       - Lembre-se de mim através disso. Isso nos ligará pelo infinito mar da distância. Jamais esquecerei estes teus lábios. - Disse, ela, trêmula, segurando minha mão.
- Voltarei a sentir as batidas do teu coração? - Disse, eu.
- Apenas o destino nos responderá. - Disse, ela, arrancando as últimas esperanças.
      Nossos lábios se uniram outra vez, aquele era o beijo do adeus. Simbolizei minha tristeza com um abraço forte e apertado, afagando sua cabeça entre meu peito. Minhas lágrimas falavam pelo meu coração partido. Aquele raio o partiu ao meio. Já afastados, entre o rugido do motor a diesel, eu a assisto ir embora. Eu poderia tera alcançado, mas algo fincou meus pés naquele chão gélido.
         A roda gigante da consolação deveria continuar a girar, mas eu não havia dado fichas a ninguém. Foi uma troca desleal, só recebi seu nome, eu dei meu coração. Até hoje, guardo o medalhão prateado daquela moça. Um simples toque naquele cordão, leva-me ao completo êxtase, sentindo seu calor queimando meu corpo, assim, volto ao ponto de partida. Só o destino dirá... se ganhei ou não.

"Não aguentava mais esperar, você voltar..."

domingo, 15 de janeiro de 2012

Amantes apaixonados, corações separados! - Parte II

         Meu olhar de frustração era nítido até que o silêncio do recinto foi quebrado com algumas baladas antigas, despertando, assim, alguns casais. Achei conveniente abrir-me naquele momento.
         - Digo-lhe com toda franqueza, nunca vi mulher tão formosa como vossa pessoa. Peço-lhe desculpas pela língua frouxa, é que não sou graduado a lidar com damas. - Desabafei.
           Seu rosto de pele alva deu lugar ao vermelho, dei de cara com seu sorriso. Passei a sentir que nem tudo havia sido perdido, havia apenas a vergonha atravessada em nosso desejo. Neste momento, soltei meus demônios e sob efeito do alcool, tomei a coragem como amiga e chamei-a para ser meu par. Feliz, fiquei ao saber ela concordara.
          - Tu não queres saber quem sou? - Disse, eu, curioso.
          - Não, Tu és o meu estranho perfeito. Que tal mantermos assim? - Disse, sorrindo. 
          - Grande "pé-de-valsa", tu és! - Exclamei. 
          - Não sei apenas compassar os pés, posso ser sua guia no jogo do desejo. - Disse, ela, com um sorriso sem nenhum juizo.
          Não pude aguentar, aproveitei aquela deixa e decidi beijá-la. Fui tocando aqueles lábios macios com tanta intensidade, não conseguia me conter. Impressionado, fiquei quando senti o calor da sua boca tomando conta do meu ser, correspondendo-me. Derretia-me feito açucar, não estava apaixonado, mas confesso, já tinha dúvidas sobre minhas intenções. Um misto de desejo, paixão, curiosidade e tesão tomaram conta de mim por completo. Encontrava-me em transe. Continuavamos com aqueles movimentos frenéticos com tamanha intimidade, levando-me a crer que nos conheciamos há bastante tempo. 
          Interrompemos aquela loucura, já sem fôlego e olhando para o relógio, aquele sorriso deu lugar à um rosto triste.
          - Tenho que me despedir. Com este beijo, meu coração apela para ficar. Mas tenha certeza, essa noite foi a melhor que meus olhos puderam testemunhar. - Dizia triste e decidida.
Querem saber o que acontecerá com estes dois? Amanhã, estará a III e última parte desta grande história. Encontro vocês aqui.

sábado, 14 de janeiro de 2012

Amantes apaixonados, corações separados! - Parte I

         Após um fatídico dia, lembro-me indo a um bar de neon azul, calçada vagabunda, paredes manchadas. Em meio a um mar de conversas com um cardume de palavras exdrúxulas mergulhados, estava eu, sentei-me, recluso. Estava a tomar um whisky tão velho que nem a idade de meus grisalhos cabelos se atreveriam a competir. Não minto, tenho um olhar não muito simpático, minha lingua não é sociavel, até meu suor é frio como uma gota de orvalho.
         Já estava desiludido com aquela noite, mas algo me fez despertar. Entrando porta a dentro, surge uma mulher, com cabelos cor de fogo, vestido branco e longo, olhos tranparentes na cor do céu, boca vermelha e pequena. Sucinto, eu, estou em falar, tal beleza não existia nesta freguesia. Todos logo pararam de conversar, aqueles abutres logo fitaram os olhos naquela linda moça, encurralaram-na como caça.
         Em cada passo que dava, meu corpo entrava em colapso, descompassando-me. O mais intrigante foi seu repouso justamente ao meu lado. Ela decide tomar um tônico e eu, nervoso, com pernas paralizadas, decido arriscar em meio aquele silêncio angustiante.
         - Qual seu nome? - Pergunto como uma criança balbuciando as primeiras palavras.
         - Laila. - Disse-me levando um leve sorriso ao rosto.
           Não consegua entender como tal mulher poderia estar em um boteco como aquele. Acendi um cigarro, decidi oferecê-lo. Com um doce olhar, balançou o indicador negativando meu gesto de bondade. Deveria, eu, saber que ela não se rebaixaria às cinzas daquele rolo de nicotina. Envergonhado, rapidamente apaguei aquela bituca. Batendo na porta da redenção, pergunto o que aquela moça estaria fazendo, sozinha, naquele baixo lugar.  Com quatro palavras, ela respondeu:
           - Dias difíceis, meu caro. - Me disse com certo pesar.
Curiosos para saber o que acontece? Amanhã estará a Parte II disponivel aqui, neste mesmo blog, neste mesmo horário.